Ao longo de
sua trajetória filosófica, Nietzsche começou a se aproximar com a “fisiologia”,
que para ele, não se reduziria apenas a uma noção do material/corporal e sim uma
ideia muito mais ampla da coisa. “[...] Apresenta um campo semântico muito mais
amplo, significando a conjuntura dos processos de assimilação e regulação do
organismo como um todo e aos instintos e atividades que potencializam ou
diminuem a sua vitalidade. Dessa maneira, a acepção nietzschiana de
“fisiologia” inclui tanto o âmbito “físico” (digestão, circulação de fluídos
corporais), quanto o âmbito “psíquico” (os afetos, os instintos, os estímulos
nervosos)" (BITTENCOURT, 2011). E é através desses estímulos nervosos que
iniciamos a contração muscular, ou em todo caso, cada movimento do nosso corpo.
“There is more wisdom in your
body than in your deepest philosophy."
“Há mais
sabedoria em seu corpo do que em sua filosofia mais profunda. "
- Friedrich
Nietzsche
(Imagens retiradas da Internet)
Existem 3
tipos de músculos no nosso corpo, o músculo cardíaco, os músculos lisos e os
músculos esqueléticos. Apenas os músculos esqueléticos nós podemos controlar
voluntariamente e sobre eles se baseará o nosso foco. Sabe aquela caneta que
você pegou hoje? Sabe aquele garfo que você usou para comer? Sabe a anilha que
você levantou no seu treino? Então, em todos esses momentos nós obtivemos
contrações musculares, cada qual com o seu número respectivo de fibras.
Devemos
isso a uma coisa chamada fuso muscular. O
fuso muscular se localiza no ventre dos músculos, onde contém as fibras
musculares. Ele informa quanto de tensão nas fibras será necessário para que
haja forças o suficiente; basicamente seleciona quantas fibras serão
necessárias para a execução daquilo que pretendemos e respondem a qualquer
estiramento do músculo. O músculo é ligado ao osso através de um tecido
conectivo, chamado de tendão, portanto quando o músculo contrair ele irá puxar
a parte fixa, no caso, os ossos. Nesse tendão haverá uma coisa chamada de órgão tendinoso de golgi (OTG), que tem
como função dizer até onde o músculo poderá ser estirado. Ambos têm essas
capacidades, porque têm receptores sensoriais que se ligam ao sistema nervoso.
Para
entendermos a contração muscular, precisamos entender algumas partes do
músculo. Os filamentos proteicos de actina (filamentos finos) e miosina (filamentos grossos), estão dentro de algo chamado sarcômero, que é a menor unidade funcional de um músculo. Os sarcômeros são
unidades contráteis de uma miofibrila, várias miofibrilas compõe uma fibra
muscular. Portanto, diversos sarcômeros, um ao lado do outro compõe as miofibrilas.
Fibra Muscular -> Miofibrilas
-> Sarcômeros -> Actina e Miosina
Lembra
daqueles estímulos nervosos citados lá no início, que Nietzsche também
comentava? Vimos que eles estavam presentes no fuso e no OTG e como eles fazem
parte do músculo, obviamente, estarão presentes aqui também. As fibras musculares são inervadas por
neurônios e através dos sinais que eles irão mandar, elas irão responder. O
bulbo sináptico é a terminação de um neurônio e essa terminação junto ao
músculo formam a junção neuromuscular, onde ocorre essa troca de sinais.
Esses sinais
causam aquilo que já vimos, o potencial de ação, que irá despolarizar a
membrana das células, fazendo com que essas células atinjam seu limiar. Então,
quando este sinal entra na fibra muscular, já despolarizando a membrana, ele
irá se propagar pelos famosos túbulos T que permitem a propagação deste
potencial e irão liberar o cálcio acumulado no retículo sarcoplasmático no
sarcoplasma, fazendo com que haja uma interação entre as proteínas de actina e
miosina. Os filamentos de miosina “puxam” os filamentos de actina formando as
pontes cruzadas. O cálcio auxilia neste processo de “junção” dos filamentos. “As
cabeças de miosina interagem com áreas específicas nos filamentos finos para
formar as pontes cruzadas e gerar uma tensão associada à contração muscular”
(MAUGHAN, GLEESON, GREENHAF, 2000, pg. 5).
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