domingo, 3 de novembro de 2019

MECÂNICA DO COTIDIANO


Ultimamente nos centros de treinamento (academia, box, Ct) ouve-se muito falar em inibição de um músculo e hiperativação de outro. Essa hiperativação seria uma tentativa do corpo de compensação referente a musculatura que esta inibida.

Sabe-se que o corpo é constituído de partículas, portanto, nós somos milhões de partículas ambulantes. Os organismos vivos possuem características incríveis, porém um tanto quanto complexas.


(Imagem retirada da Internet)

               Nelson & Cox (2011) afirmavam que uma dessas características eram os sistemas para extrair, transformar e utilizar a energia do ambiente, permitindo aos organismos construir e manter suas intrincadas estruturas, assim como realizar trabalho mecânico, químico, osmótico e elétrico, o que neutraliza a tendência de toda a matéria de decair para um estado mais desorganizado, entrando assim em equilíbrio com seu ambiente.

                Rose e Gamble, no famoso livro “Marcha Humana” (1998), descrevem que na marcha, o movimento dos membros e do tronco são integrados, diminuindo o deslocamento vertical do centro de gravidade. Também afirmam que as células convertem energia das fontes alimentares naquela que pode ser usada para as reações moleculares do metabolismo celular. Esses processos fisiológicos envolvem várias formas de transdução de energia química das ligações moleculares para a energia térmica de calor ou trabalho mecânico.

                Como podemos ver, praticamente tudo se resume a ajustes fisiológicos que o próprio corpo cria como forma de melhor atender as demandas nele impostas.

“Funções definidas para cada um dos componentes de um organismo e interações reguladas entre eles. [...] A interação entre os componentes químicos de um organismo vivo é dinâmica; mudanças em um componente causam mudanças coordenadas ou compensatórias em outro, com o todo manifestando uma característica além daquelas de suas partes individuais. O conjunto de moléculas realiza um programa, cujo resultado final é a reprodução e a autopreservação do conjunto de moléculas – em resumo, vida" (Nelson & Cox, 2011).

                Se somos feitos de partículas e no momento de uma alteração em um componente de uma intrincada estrutura altera-se outras, consequentemente podemos dizer então que um “glúteo inibido”, talvez não seja apenas um glúteo inibido, mas sim uma cascata de consequências derivadas de uma alteração em um componente dessa estrutura.

                Muito também se fala, na questão de conservação de energia. O corpo sempre vai tender a buscar esta conservação como forma de adaptação e ajuste que este mesmo sofreu ao longo dos milhares de anos. Tem-se a ideia de que pessoas que passam muito tempo sentadas, tendem a ter a inibição muscular do glúteo com o intuito de melhor economizar energia de uma musculatura que não é tão exigida durante o dia a dia - “assim entenderia o corpo”.

                Então, temos que ter a noção que uma compensação muscular pode estar sendo resultado de outras compensações, por conta de uma alteração em um componente dessa cadeia maravilhosa chamada corpo.