domingo, 23 de junho de 2019

ELETROCARDIOGRAMA


Desde o princípio, adianto que este post não tem o intuito de substituir ou argumentar contra qualquer opinião de algum médico, pelo contrário, vem reforçar que apenas médicos tem a permissão de prescrever e fazer a leitura, identificando se está tudo normal com o funcionamento do coração, e se não estiver, designar o que este paciente deve fazer a partir daquele momento.

              O eletrocardiograma é um dos principais exames para a verificação de como está o funcionamento do miocárdio (músculo do coração) e SEMPRE prescrito por um médico. “À medida que o impulso cardíaco cursa pelo coração, correntes elétricas se propagam para os tecidos que cercam o coração e pequena fração dessas correntes atinge a superfície do corpo. Se forem colocados eletródios sobre a pele em pontos opostos do coração, os potenciais elétricos gerados por essas correntes podem ser registrados, esse registro corresponde ao eletrocardiograma” (GUYTON & HALL, 1997).
(Imagem retirada da internet)
           Em repouso, a célula esta representada positiva por fora e negativa por dentro; ao iniciar a contração, ela, a célula, fica dividida em negativa/positiva por dentro e positiva/negativa do lado de fora; ao término da fase de contração, quando o músculo está contraído, a célula está totalmente despolarizada, fazendo, portanto, que seu meio externo fique negativo e seu meio interno positivo; quando a célula está no período de repolarização, ou seja, voltando a relaxar, acontece novamente a divisão de polaridades, o que faz com que ela torne a estar positiva/negativa por fora e negativa/positiva por dentro. Através desta despolarização e repolarização que se faz a interpretação de um exame desta magnitude.
(Imagem retirada da internet)
(Imagem retirada da internet)

O exame é composto, pelo que os médicos chamam de ondas e estas ondas representam o funcionamento do miocárdio, por sua vez, do coração. Através da verificação destas ondas é que o médico poderá saber se tudo está ocorrendo bem ou haverá alguma disfunção/arritmia do coração.  O eletrocardiograma normal é formado por uma onda P, um complexo QRS e uma onda T. O complexo QRS muitas vezes (mas nem sempre) aparece sob forma de três ondas: a onda Q, a onda R e a onda S” (GUYTON & HALL, 1997).

Segundo a Diretriz de interpretação de eletrocardiograma de repouso “A tecnologia dos computadores, inclusive dos pessoais, trouxe poderosos sistemas de captação de sinais e de avaliação de algoritmos, aumentando a dimensão do uso do eletrocardiograma. As análises de variabilidade da freqüência, potenciais tardios, dispersão do QT e alternância de T constituem Segundo a novos marcadores de doença cardíaca”.
(Imagem retirada da internet)
A onda P é causada pelos potenciais elétricos gerados pelos átrios ao se despolarizarem antes de se contraírem. O complexo QRS é causado pelos potenciais gerados quando os ventrículos se despolarizam antes de se contraírem, isto é, conforme a onda de despolarização cursa pelos ventrículos. Por conseguinte, tanto a onda P como o complexo QRS são ondas de despolarização. A onda T é causada por potenciais gerados à medida que os ventrículos se recuperam do estado de despolarização. Esse processo normalmente ocorre, no músculo ventricular, de 0,25 a 0,35 s após a despolarização, e essa onda é conhecida como uma onda de repolarização” (GUYTON &HALL, 1997).
 Se houver alguma dessas ondas divergentes do que é dado na Diretriz de interpretação de eletrocardiograma em repouso, o médico deverá interpretar esta divergência e a partir desta interpretação comunicar ao paciente as devidas atitudes a serem tomadas. As principais disfunções/arritmias são: extra sístole atrial, extra sístole ventricular e isquemia (bloqueio de sangue para a célula, resultando em infarto).
(Imagem retirada da internet)

quinta-feira, 13 de junho de 2019

SISTEMA ENDÓCRINO E EXERCÍCIO FÍSICO

               Um dos grandes nomes da história da filosofia, Sócrates, era um credor da importância do exercício físico e ainda argumentava que este, era um meio de estimular o corpo para intensificar as funções biológicas, “isto só se consegue por intermédio de exercícios, pois tais presentes não caem do céu” (TOSCANO, 1999).
(Imagem retirada da internet)

“Homeostasia é a manutenção das condições estáticas ou constantes do meio interno” (Guyton & Hall, 1997). Com isso, sabemos a importância de todos os sistemas do corpo nesta regulação da homeostasia como tentativa de manter as condições ideais. Dentro desta regulação, temos dois grandes sistemas, o sistema nervoso e o sistema endócrino, este segundo, extremamente importante com relação a secreção de hormônios.
Um hormônio é uma substância química secretada por células especializadas ou glândulas endócrinas para o sangue, para o próprio órgão ou para a linfa em quantidades normalmente pequenas e que provocam uma resposta fisiológica típica em outras células específicas. Os hormônios são reguladores fisiológicos” (SCHOTTELIUS & SCHOTTELIUS, 1978 APUD CANALI & KRUEL, 2001).
A professora Dr. Maristela Padilha fala que o sistema endócrino integra e regula as funções corporais, proporcionando estabilidade ao meio ambiente interno em conjunto com o sistema nervoso que é o responsável pela homeostasia, sendo capaz de controlar a pressão sanguínea, concentrações de íons e comportamentos, etc. Ainda acrescenta, que os múltiplos sistemas hormonais desempenham papel-chave na regulação de quase todas as funções corporais, como: metabolismo, crescimento e desenvolvimento, balanço hidroeletrolítico e reprodução.
(Imagem retirada da internet)

“O exercício gerando um desvio da homeostase orgânica leva à reorganização das respostas de diversos sistemas, entre eles o sistema imune” (ROSA E MAURO, 2002). O sistema imune está totalmente interligado com o sistema endócrino. “O sistema imunológico que protege o corpo contra as agressões internas e externas tem sua função modulada pelo sistema neuroendócrino” (MOREIRA, 2010).
(Imagem retirada da internet)

(Imagem retirada da internet)

Sócrates, como já dito, era extremamente fiel ao exercício e às suas respostas ao organismo e de certa forma criticava quem arranjava desculpas para não praticá-lo. “Sócrates era ciente dos benefícios que obteve com a prática de atividades físicas, e de forma ocasional exortava seus discípulos a respeito da importância do exercício para a saúde. Insistia vivamente com eles a não descurarem do corpo, recomendando uma refeição regulada pelo apetite e seguida de exercício moderado (TOSCANO, 1999).
O exercício físico, como Sócrates disse, estimula o corpo para intensificar as ações biológicas, dentre eles, a questão hormonal e hoje já é totalmente comprovado pelos cientistas a veracidade deste fato. “O exercício serve de estímulo para a secreção de determinados hormônios e de fator inibitório para outros” (GOULD, 1998 APUD CANALI &KRUEL, 2001). Como exemplo, vamos pegar a hipófise, uma das principais glândulas de secreção de hormônios, ligada diretamente com o hipotálamo.
(Imagem retirada da internet)
A hipófise é dividida em duas, a adeno-hipófise e a neuro-hipófise. “Além disso, a hipófise trabalha em íntima relação com o hipotálamo, sendo controlada por ele, que secreta hormônios especificamente para estimular a produção de hormônios pela hipófise” (BERNE & LEVY, 1996; GUYTON & HALL, 1997 APUD CANALI & KRUEL, 2001). A adeno-hipófise, secreta 6 hormônios importantes, dentre eles, um dos mais conhecidos e discutidos, o hormônio do crescimento humano (GH) que tem como algumas funções, aumentar a captação de aminoácidos e da síntese protéica pelas células, aumento da utilização de lipídios e diminuição de glicose para a obtenção de energia e crescimento tecidual, além de outras funções.
Portanto, o exercício potencializa a secreção destes hormônios pelo nosso corpo como forma de aumentar a produção de tais. Esses aumentos, por vezes, são de extrema importância para a manutenção do meio interno, dando suporte e respostas ao meio externo. 

terça-feira, 11 de junho de 2019

TIPOS DE FIBRAS MUSCULARES


Muitas pessoas já ouviram falar em fibra branca e fibra vermelha, realmente existe essa diferença? Será que no nosso corpo, há uma diferenciação na coloração das fibras? E se tiver, por quê?
No corpo humano, temos a existência de 2 tipos de fibras musculares conhecidas. A diferenciação destas fibras se dá por questões fisiológicas ou estruturais.
             “Several classification techniques differentiate fibers based on different myosin structures (isoforms) or physiologic capabilities” (SCOTT, STEVENS, MACLEOD, 2001).
            “Várias técnicas de classificação diferenciam as fibras com base em diferentes estruturas de miosina (isoformas) ou capacidades fisiológicas”.

Antigamente, as definições vinham apenas da capacidade de contração da fibra, ou seja, da velocidade de encurtamento na qual essa fibra exercia. Segundo Scott, Stevens e Macleod (2001), essa divisão das fibras correspondia a uma diferença morfológica, com isso, as fibras de contração rápida apareceriam brancas e as fibras de contração lenta apareceriam vermelhas. Essa vermelhidão, ainda segundo eles, seria resultado de quantidades elevadas de mioglobina e um alto conteúdo capilar, que juntos contribuem para a maior capacidade oxidativa dos músculos vermelhos em comparação os músculos brancos. 

“This histochemical analysis led to the original division of muscle fibers into type I (slow) and type II (fast). Currently, muscle fibers are typed using 3 different methods: histochemical staining for myosin ATPase, myosin heavy chain isoform identification, and biochemical identification of metabolic enzymes” (SCOTT, STEVENS, MACLEOD, 2001).

“Essa análise histoquímica levou à divisão original das fibras musculares em tipo I (lento) e tipo II (rápido). Atualmente, as fibras musculares são digitadas usando 3 métodos diferentes: coloração histoquímica para ATPase de miosina, identificação da isoforma da cadeia pesada da miosina e identificação bioquímica de enzimas metabólicas”.
As fibras do tipo II ainda se dividem em duas, as do tipo a e do tipo x. A diferenciação delas se da por conta de algumas questões fisiológicas. As do tipo a, se assemelham tanto com as do tipo x quanto as do tipo I, enquanto as do tipo x se diferenciam totalmente das fibras do tipo I. Portando, podemos dizer que as fibras do tipo II a são intermediárias. Muito já ouvimos falar nas fibras do tipo II b, porém essas fibras, para o meio científico, são as fibras de ratos, pois grande parte dos experimentos são feitos com eles.
FIBRA TIPO I           FIBRA TIPOIIa       FIBRA TIPO IIx
(Imagem retirada da internet)
           Alexandre Kessler, trouxe no seu curso de “Métodos avançados de hipertrofia”, a ideia (baseada em artigos), da ativação das fibras durante uma sessão de treinos na musculação. Onde:
Tensão Mecânica                                             Lesão Tecidual                               Estresse Metabólico
Via ATP/CP                                                       Via Glicolítica                                  Via Glicolítica
15”/20”  execução                                           20”/75” execução                          75”/90” execução
85% carga máxima                                           7-12 RM                                           12-15 RM
5/6 RM                                                                Hipertrófico                                      Repetições contínuas
FIBRA TIPO IIx                                                    FIBRA TIPO IIa/x                            FIBRA TIPO I/IIa


(Imagem retirada do professor Dr. André Lopes)





quarta-feira, 5 de junho de 2019

CONTRAÇÃO MUSCULAR: MAIS QUE UMA SIMPLES CONTRAÇÃO

Ao longo de sua trajetória filosófica, Nietzsche começou a se aproximar com a “fisiologia”, que para ele, não se reduziria apenas a uma noção do material/corporal e sim uma ideia muito mais ampla da coisa. “[...] Apresenta um campo semântico muito mais amplo, significando a conjuntura dos processos de assimilação e regulação do organismo como um todo e aos instintos e atividades que potencializam ou diminuem a sua vitalidade. Dessa maneira, a acepção nietzschiana de “fisiologia” inclui tanto  o âmbito “físico” (digestão, circulação de fluídos corporais), quanto o âmbito “psíquico” (os afetos, os instintos, os estímulos nervosos)" (BITTENCOURT, 2011).  E é através desses estímulos nervosos que iniciamos a contração muscular, ou em todo caso, cada movimento do nosso corpo.
There is more wisdom in your body than in your deepest philosophy."
“Há mais sabedoria em seu corpo do que em sua filosofia mais profunda. "
- Friedrich Nietzsche
(Imagens retiradas da Internet)


Existem 3 tipos de músculos no nosso corpo, o músculo cardíaco, os músculos lisos e os músculos esqueléticos. Apenas os músculos esqueléticos nós podemos controlar voluntariamente e sobre eles se baseará o nosso foco. Sabe aquela caneta que você pegou hoje? Sabe aquele garfo que você usou para comer? Sabe a anilha que você levantou no seu treino? Então, em todos esses momentos nós obtivemos contrações musculares, cada qual com o seu número respectivo de fibras.
             Devemos isso a uma coisa chamada fuso muscular. O fuso muscular se localiza no ventre dos músculos, onde contém as fibras musculares. Ele informa quanto de tensão nas fibras será necessário para que haja forças o suficiente; basicamente seleciona quantas fibras serão necessárias para a execução daquilo que pretendemos e respondem a qualquer estiramento do músculo. O músculo é ligado ao osso através de um tecido conectivo, chamado de tendão, portanto quando o músculo contrair ele irá puxar a parte fixa, no caso, os ossos. Nesse tendão haverá uma coisa chamada de órgão tendinoso de golgi (OTG), que tem como função dizer até onde o músculo poderá ser estirado. Ambos têm essas capacidades, porque têm receptores sensoriais que se ligam ao sistema nervoso. 
(Imagem retirada da internet)




Para entendermos a contração muscular, precisamos entender algumas partes do músculo. Os filamentos proteicos de actina (filamentos finos) e miosina (filamentos grossos), estão dentro de algo chamado sarcômero, que é a menor unidade funcional de um músculo. Os sarcômeros são unidades contráteis de uma miofibrila, várias miofibrilas compõe uma fibra muscular. Portanto, diversos sarcômeros, um ao lado do outro compõe as miofibrilas.
Fibra Muscular -> Miofibrilas -> Sarcômeros -> Actina e Miosina 


(Imagem retirada da internet)
(Imagem retirada da internet)


 
Lembra daqueles estímulos nervosos citados lá no início, que Nietzsche também comentava? Vimos que eles estavam presentes no fuso e no OTG e como eles fazem parte do músculo, obviamente, estarão presentes aqui também.  As fibras musculares são inervadas por neurônios e através dos sinais que eles irão mandar, elas irão responder. O bulbo sináptico é a terminação de um neurônio e essa terminação junto ao músculo formam a junção neuromuscular, onde ocorre essa troca de sinais.
(Imagem retirada da internet)

Esses sinais causam aquilo que já vimos, o potencial de ação, que irá despolarizar a membrana das células, fazendo com que essas células atinjam seu limiar. Então, quando este sinal entra na fibra muscular, já despolarizando a membrana, ele irá se propagar pelos famosos túbulos T que permitem a propagação deste potencial e irão liberar o cálcio acumulado no retículo sarcoplasmático no sarcoplasma, fazendo com que haja uma interação entre as proteínas de actina e miosina. Os filamentos de miosina “puxam” os filamentos de actina formando as pontes cruzadas. O cálcio auxilia neste processo de “junção” dos filamentos. “As cabeças de miosina interagem com áreas específicas nos filamentos finos para formar as pontes cruzadas e gerar uma tensão associada à contração muscular” (MAUGHAN, GLEESON, GREENHAF, 2000, pg. 5).
(Imagem retirada da internet)