domingo, 14 de julho de 2019

MOVIMENTO PELO MOVIMENTO?


Reflexão é um pensamento consciente de si mesmo, capaz de interrogar-se a si próprio, e por isso, quase sempre associamos reflexão à reflexão filosófica” (BARBOSA, 2011). O filme “Palavras e imagens”, traz uma dialética fundamentada na briga entre as palavras versus as imagens - proposto por dois professores de uma escola (literatura vs artes) - e qual delas seriam capazes de se expressarem da melhor maneira, de se comunicarem e promoverem pensamentos nas pessoas. 
(Imagem retirada da internet)

Segundo um dos lados, “não confiem nas palavras, as palavras são mentiras, armadilhas”, enquanto o outro argumenta que “as imagens são clichês”. Assistindo a esse conflito, me peguei pensando no movimento humano, na evolução humana. Não podemos falar de palavras e imagens sem falar nos nossos ancestrais, sem falar em antropologia evolutiva. Sabemos que a curiosidade nos fez evoluir, fez com que a partir desta evolução partes anatômicas e fisiológicas fossem adaptadas para tal evolução até os dias de hoje e que persistirão pela história.
No passado havia comunicação através de pinturas rupestres, o que fez com que ainda mais tarde fosse desenvolvido o diálogo (vocabulário), portanto percebemos na história que essas duas questões fazem parte e são essenciais para o desenvolvimento filosófico do pensar, incluindo o movimento humano. 
                                                             (Imagem retirada da internet)

Ambas são propostas por movimentos, seja bocal (palavras) ou físicos (uma imagem pintada em um quadro). O movimento se fez presente nelas e ninguém melhor do que a Educação Física para pensar neste movimento. “Nossos movimentos estão sempre carregados de sentido. Um abraço não se resume a complexos de alavancas e a pontos de rotação” (MELANI, 2012).
(Imagem retirada da internet)

A paixão por pensar, além do natural do movimento, me fez questionar movimentos corporais através do exercício físico, inclusive críticas sofridas por aqueles que querem ver algo a mais do que apenas um peso sendo levantado ou que percebem leis físicas, biológicas e químicas no próprio movimento, assim como atitudes filosóficas de contexto maior. “O segredo fundamental do cérebro um dia será descoberto, mas mesmo quando assim for, permanecerá a admiração por essa coisa molhada, que é capaz de gerar mágico cinema do pensamento, da visão, da audição e do tato, poderá um dia ser explicado como matéria vira consciência” (FRASE RETIRADA DO FILME “Palavras e imagens).
A Educação Física que não se mostre como uma constante atitude filosófica diante da sociedade em que se insere, caracteriza-se como um simples conjunto de movimentos corporais alienados” (BARBOSA, 2011).
É inegável que eu jamais poderia sintetizar a próxima citação deste texto de uma forma original, sem perder algum jogo de palavras, pelo simples fato do conjunto de dialéticas proposto por Barbosa (2011), de uma forma coerente e coesa, baseada em opiniões estabelecidas dentro de um pensar acadêmico e profissional, “Por que a educação física, na maioria das vezes, limita-se apenas ao movimento pelo movimento, ao invés de também refletir sobre o significado desses movimentos? Por que alguns professores referem-se aos que “pensam” sobre a educação física como “professores de educação física que foram ‘filosofar’, pois não sabiam praticar esporte algum”? Mas na verdade, não seriam esses “acusadores”, indivíduos, que se escondem atrás de práticas corporais estereotipadas por medo da verdade que a reflexão filosófica pode lhes revelar? E que na verdade é essa que causa tanto receio”.

Portanto, até mesmo por trás de um simples levantamento de peso, existe um sentido maior, com um movimento pensado, analisado, estruturado e através deste movimento encaixamos imagens e palavras para descrição de tal sentido refletido.