“Reflexão é
um pensamento consciente de si mesmo, capaz de interrogar-se a si próprio, e
por isso, quase sempre associamos reflexão à reflexão filosófica” (BARBOSA,
2011). O filme “Palavras e imagens”, traz uma dialética fundamentada na
briga entre as palavras versus as imagens - proposto por dois professores de
uma escola (literatura vs artes) - e qual delas seriam capazes de se
expressarem da melhor maneira, de se comunicarem e promoverem pensamentos nas
pessoas.
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(Imagem retirada da internet)
Segundo um dos
lados, “não confiem nas palavras, as palavras são mentiras, armadilhas”,
enquanto o outro argumenta que “as imagens são clichês”. Assistindo a
esse conflito, me peguei pensando no movimento humano, na evolução humana. Não
podemos falar de palavras e imagens sem falar nos nossos ancestrais, sem falar
em antropologia evolutiva. Sabemos que a curiosidade nos
fez evoluir, fez com que a partir desta evolução partes anatômicas e
fisiológicas fossem adaptadas para tal evolução até os dias de hoje e que
persistirão pela história.
No passado
havia comunicação através de pinturas rupestres, o que fez com que ainda mais
tarde fosse desenvolvido o diálogo (vocabulário), portanto percebemos na
história que essas duas questões fazem parte e são essenciais para o
desenvolvimento filosófico do pensar, incluindo o movimento humano.
(Imagem retirada da internet)
Ambas são
propostas por movimentos, seja bocal (palavras) ou físicos (uma imagem pintada
em um quadro). O movimento se fez presente nelas e ninguém melhor do que a
Educação Física para pensar neste movimento. “Nossos movimentos estão sempre
carregados de sentido. Um abraço não se resume a complexos de alavancas e a
pontos de rotação” (MELANI, 2012).
(Imagem retirada da internet)
A paixão por
pensar, além do natural do movimento, me fez questionar movimentos corporais
através do exercício físico, inclusive críticas sofridas por aqueles que querem
ver algo a mais do que apenas um peso sendo levantado ou que percebem leis
físicas, biológicas e químicas no próprio movimento, assim como atitudes
filosóficas de contexto maior. “O segredo fundamental do cérebro um dia será
descoberto, mas mesmo quando assim for, permanecerá a admiração por essa coisa
molhada, que é capaz de gerar mágico cinema do pensamento, da visão, da audição
e do tato, poderá um dia ser explicado como matéria vira consciência” (FRASE
RETIRADA DO FILME “Palavras e imagens).
“A Educação
Física que não se mostre como uma constante atitude filosófica diante da
sociedade em que se insere, caracteriza-se como um simples conjunto de
movimentos corporais alienados” (BARBOSA, 2011).
É inegável que
eu jamais poderia sintetizar a próxima citação deste texto de uma forma
original, sem perder algum jogo de palavras, pelo simples fato do conjunto de
dialéticas proposto por Barbosa (2011), de uma forma coerente e coesa, baseada
em opiniões estabelecidas dentro de um pensar acadêmico e profissional, “Por
que a educação física, na maioria das vezes, limita-se apenas ao movimento pelo
movimento, ao invés de também refletir sobre o significado desses movimentos?
Por que alguns professores referem-se aos que “pensam” sobre a educação física
como “professores de educação física que foram ‘filosofar’, pois não sabiam
praticar esporte algum”? Mas na verdade, não seriam esses “acusadores”,
indivíduos, que se escondem atrás de práticas corporais estereotipadas por medo
da verdade que a reflexão filosófica pode lhes revelar? E que na verdade é essa
que causa tanto receio”.
Portanto, até mesmo por trás de
um simples levantamento de peso, existe um sentido maior, com um movimento pensado,
analisado, estruturado e através deste movimento encaixamos imagens e palavras
para descrição de tal sentido refletido.
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