Ultimamente nos
centros de treinamento (academia, box, Ct) ouve-se muito falar em inibição de
um músculo e hiperativação de outro. Essa hiperativação seria uma tentativa do
corpo de compensação referente a musculatura que esta inibida.
Sabe-se que o
corpo é constituído de partículas, portanto, nós somos milhões de partículas
ambulantes. Os organismos vivos possuem características incríveis, porém um
tanto quanto complexas.
Nelson & Cox (2011) afirmavam
que uma dessas características eram os sistemas para extrair, transformar e
utilizar a energia do ambiente, permitindo aos organismos construir e manter
suas intrincadas estruturas, assim como realizar trabalho mecânico, químico,
osmótico e elétrico, o que neutraliza a tendência de toda a matéria de decair
para um estado mais desorganizado, entrando assim em equilíbrio com seu
ambiente.
Rose
e Gamble, no famoso livro “Marcha Humana” (1998), descrevem que na marcha, o
movimento dos membros e do tronco são integrados, diminuindo o deslocamento
vertical do centro de gravidade. Também afirmam que as células convertem energia
das fontes alimentares naquela que pode ser usada para as reações moleculares
do metabolismo celular. Esses processos fisiológicos envolvem várias formas de transdução
de energia química das ligações moleculares para a energia térmica de calor ou
trabalho mecânico.
Como
podemos ver, praticamente tudo se resume a ajustes fisiológicos que o próprio corpo
cria como forma de melhor atender as demandas nele impostas.
“Funções definidas para cada um dos componentes de um organismo e
interações reguladas entre eles. [...] A interação entre os componentes
químicos de um organismo vivo é dinâmica; mudanças em um componente causam
mudanças coordenadas ou compensatórias em outro, com o todo manifestando uma
característica além daquelas de suas partes individuais. O conjunto de
moléculas realiza um programa, cujo resultado final é a reprodução e a autopreservação
do conjunto de moléculas – em resumo, vida" (Nelson & Cox, 2011).
Se somos feitos de partículas e no momento de uma
alteração em um componente de uma intrincada estrutura altera-se outras,
consequentemente podemos dizer então que um “glúteo inibido”, talvez não seja
apenas um glúteo inibido, mas sim uma cascata de consequências derivadas de uma
alteração em um componente dessa estrutura.
Muito
também se fala, na questão de conservação de energia. O corpo sempre vai
tender a buscar esta conservação como forma de adaptação e ajuste que este
mesmo sofreu ao longo dos milhares de anos. Tem-se a ideia de que pessoas que
passam muito tempo sentadas, tendem a ter a inibição muscular do glúteo com o
intuito de melhor economizar energia de uma musculatura que não é tão exigida durante
o dia a dia - “assim entenderia o corpo”.
Então,
temos que ter a noção que uma compensação muscular pode estar sendo resultado
de outras compensações, por conta de uma alteração em um componente dessa
cadeia maravilhosa chamada corpo.

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