Ultimamente
venho me questionando sobre muitas coisas, inclusive a biomecânica correta nos
exercícios, se realmente vale a pena ser perfeccionista ao extremo em termos de
desempenho, cobrando, por vezes, o que as pessoas não podem dar, como uma boa
amplitude, por exemplo.
"A
gente tá tão preocupado com padrão, com prevenção de lesão, ‘porque ele tem que
levantar, porque ele tem que acertar’. Eu fico imaginando o caçador, coletor na
floresta, vem um leão para pegar e tem uma árvore que ele pode subir aí ele
pensa ‘cara, meus joelhos, deixa eu alinhar meus joelhos, o pé tem que ter os
três pontinhos do pé, coluna..’, quando ele ajeitar, já foi, o leão pegou” (Alan
Bastos em Movimento Humano pela Peak Digital Conference).
Vendo
alguns esportes, me deparei com algumas cenas relativamente parecidas com esse
exemplo acima descrito pelo Alan Bastos. No vôlei, o(a) líbero (o que fica com
a camisa diferente), é o(a) melhor defensor(a) da equipe. Quando um jogador
adversário ataca a bola e ele(a) precisa defender, nem sempre ele(a) conseguirá
fazer o gesto técnico perfeito do esporte e nem sempre ele(a) conseguirá manter
o corpo em uma postura perfeita, ele(a) só quer não deixar a bola cair.
“O
movimento é inerente a nossa biologia por conta da nossa história lá de 7 milhões
de anos que demoramos para chegar até aqui. [..] A gente precisou gerar uma
série de adaptações ao ambiente que a gente vivia. Adaptação mesmo não é
ajuste, quando a gente treina a gente gera ajuste, a gente foi gerando
adaptações morfológicas, fisiológicas, neurofisiológicas que nos levaram a ter
o corpo que a gente tem hoje e as respostas que a gente tem hoje ao exercício e
essas respostas são em primeira estância saúde” (Alan Bastos em Movimento
Humano pela Peak Digital Conference).
Nesse momento,
eu percebi que muitas vezes a biomecânica perfeita não se faz presente no
cotidiano das pessoas. Eu JAMAIS vou dizer para negligenciar isso em um
treinamento, mas já que pregamos (Educação Física) tanto a individualidade
biológica, porque não começamos a colocar ela em prática, partindo do
pressuposto que por vezes a biomecânica de um exercício para um, seja alterada
para outro e entendermos que isso não irá comprometer o desempenho deste aluno.
Com certeza,
grande parte das pessoas que olharem essa imagem, a primeira coisa que irão
pensar é no valgo dinâmico (joelhos para dentro). Nessa imagem, temos um dos
melhores e mais respeitado tenista do mundo, Roger Federer. Com certeza, para o
alto desempenho, um melhor gesto corporal, facilitará o jogo e o seu
desempenho, mas se vem uma bola na qual ele não estava esperando ou que não
facilitara este gesto técnico, ele não deixará de rebater porque seus joelhos
não estarão alinhados ou porque ele não está na sua melhor postura, haverá um ajuste para que ele possa rebater essa bola da melhor maneira possível para o momento.
Antigamente,
tinha-se a ideia de que um bom velocista deveria ter uma excelente arrancada,
se não ele ficaria para trás e não se recuperaria mais. Aí surge um homem
chamado Usain Bolt e quebra esse paradigma, mas a partir dele é que pudemos
entender que a individualidade biológica se faz presente em todas as instâncias
dos esportes e do cotidiano das pessoas, inclusive aquelas que preferem exatas
e as outras que preferem humanas (isso também é uma representatividade da individualidade).
“Qual é a
beleza do movimento? Você vai treinando, você vai treinando, o seu organismo
vai se adaptando, vai se tornando mais eficiente, você vai se ajustando” (Alan
Bastos em Movimento Humano pela Peack Digital Conference).



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