domingo, 27 de outubro de 2019

EXISTE BIOMECÂNICA CORRETA?


Ultimamente venho me questionando sobre muitas coisas, inclusive a biomecânica correta nos exercícios, se realmente vale a pena ser perfeccionista ao extremo em termos de desempenho, cobrando, por vezes, o que as pessoas não podem dar, como uma boa amplitude, por exemplo.

"A gente tá tão preocupado com padrão, com prevenção de lesão, ‘porque ele tem que levantar, porque ele tem que acertar’. Eu fico imaginando o caçador, coletor na floresta, vem um leão para pegar e tem uma árvore que ele pode subir aí ele pensa ‘cara, meus joelhos, deixa eu alinhar meus joelhos, o pé tem que ter os três pontinhos do pé, coluna..’, quando ele ajeitar, já foi, o leão pegou” (Alan Bastos em Movimento Humano pela Peak Digital Conference).

Vendo alguns esportes, me deparei com algumas cenas relativamente parecidas com esse exemplo acima descrito pelo Alan Bastos. No vôlei, o(a) líbero (o que fica com a camisa diferente), é o(a) melhor defensor(a) da equipe. Quando um jogador adversário ataca a bola e ele(a) precisa defender, nem sempre ele(a) conseguirá fazer o gesto técnico perfeito do esporte e nem sempre ele(a) conseguirá manter o corpo em uma postura perfeita, ele(a) só quer não deixar a bola cair. 

(Imagem retirada da Internet)
 (Imagem retirada da Internet)

“O movimento é inerente a nossa biologia por conta da nossa história lá de 7 milhões de anos que demoramos para chegar até aqui. [..] A gente precisou gerar uma série de adaptações ao ambiente que a gente vivia. Adaptação mesmo não é ajuste, quando a gente treina a gente gera ajuste, a gente foi gerando adaptações morfológicas, fisiológicas, neurofisiológicas que nos levaram a ter o corpo que a gente tem hoje e as respostas que a gente tem hoje ao exercício e essas respostas são em primeira estância saúde” (Alan Bastos em Movimento Humano pela Peak Digital Conference).

Nesse momento, eu percebi que muitas vezes a biomecânica perfeita não se faz presente no cotidiano das pessoas. Eu JAMAIS vou dizer para negligenciar isso em um treinamento, mas já que pregamos (Educação Física) tanto a individualidade biológica, porque não começamos a colocar ela em prática, partindo do pressuposto que por vezes a biomecânica de um exercício para um, seja alterada para outro e entendermos que isso não irá comprometer o desempenho deste aluno.

 (Imagem retirada da Internet)

Com certeza, grande parte das pessoas que olharem essa imagem, a primeira coisa que irão pensar é no valgo dinâmico (joelhos para dentro). Nessa imagem, temos um dos melhores e mais respeitado tenista do mundo, Roger Federer. Com certeza, para o alto desempenho, um melhor gesto corporal, facilitará o jogo e o seu desempenho, mas se vem uma bola na qual ele não estava esperando ou que não facilitara este gesto técnico, ele não deixará de rebater porque seus joelhos não estarão alinhados ou porque ele não está na sua melhor postura, haverá um ajuste para que ele possa rebater essa bola da melhor maneira possível para o momento.

 Antigamente, tinha-se a ideia de que um bom velocista deveria ter uma excelente arrancada, se não ele ficaria para trás e não se recuperaria mais. Aí surge um homem chamado Usain Bolt e quebra esse paradigma, mas a partir dele é que pudemos entender que a individualidade biológica se faz presente em todas as instâncias dos esportes e do cotidiano das pessoas, inclusive aquelas que preferem exatas e as outras que preferem humanas (isso também é uma representatividade da individualidade).

“Qual é a beleza do movimento? Você vai treinando, você vai treinando, o seu organismo vai se adaptando, vai se tornando mais eficiente, você vai se ajustando” (Alan Bastos em Movimento Humano pela Peack Digital Conference).

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