domingo, 18 de agosto de 2019

ANTROPOLOGIA EVOLUTIVA: ATIVIDADE FÍSICA PELO GOSTO OU PELA SAÚDE!!


Herman Pontzer é um professor de antropologia evolutiva da universidade Duke, na Carolina do Norte. Um dos nomes mais conhecidos na área, Herman afirma, “eu investigo a fisiologia de humanos e macacos para entender como ecologia, estilo de vida, dieta e história evolutiva afetam o metabolismo e a saúde. Também estou interessado em como a ecologia e a evolução influenciam o design musculoesquelético e a atividade física”. 

O que motiva as pesquisas sobre essas comparações, não são as semelhanças entre seres humanos e macacos, mas sim, as diferenças que lançam um novo olhar e uma nova perspectiva sobre o nosso corpo.
          Em um dos seus artigos chamado “O mais atlético dos primatas”, publicado pela Scientific American Brasil, em fevereiro de 2019, Herman foi até Uganda, para ser mais preciso no Parque Nacional Kibale,  na África Ocidental, onde ele e mais 2 pesquisadores iriam verificar o quanto chimpanzés escalam todos os dias, pois segundo ele, essa energia gasta na escalada poderia ser um fator fundamental na ecologia e na evolução dos chimpanzés, moldando sua anatomia para maximizar a eficiência da escalada, poupando assim calorias para a reprodução e para outras tarefas.

(Imagem retirada da Internet)


            Antigamente, os pesquisadores acreditavam que as características evolutivas se davam apenas anatomicamente e no comportamento, mas não afetariam as células. Conforme os anos foram passando e as pesquisas aumentando, foi visto que os seres humanos também modificaram fisiologicamente.
            Compartilhamos 97% do nosso DNA com orangotangos, gorilas, chimpanzés e bonobos (Pontzer, 2019), porém ao contrário dos nossos primos macacos, a nossa evolução nos propiciou uma dependência da atividade física. Yuval N. Harari, afirma em seu livro “Sapiens - Uma breve história da humanidade”, que ao longo dos milhares de anos de evolução, o cérebro humano foi aumentando em virtude da característica apresentada pela evolução das espécies que se seguiam, muito também pela capacidade de oxigênio ter aumentado e a caça ter sido introduzida.
 O fato é que um cérebro gigante é extremamente custoso para o corpo. Não é fácil de carregar, sobretudo quando envolvido por um crânio pesado. É ainda mais difícil de abastecer. No Homo Sapiens, o cérebro equivale a 2 ou 3% do peso corporal, mas consome 25% da energia do corpo quando está em repouso. Em comparação, o cérebro de outros primatas requer apenas 8% de energia em repouso. Os humanos arcaicos pagaram por seu cérebro grande de duas maneiras. Em primeiro lugar, passaram mais tempo em busca de comida. Em segundo lugar, seus músculos atrofiaram” (Harari, 2012, pg. 17).
            Harari ainda brinca que é como um governo que está desviando verba da defesa para a educação, onde os humanos desviaram energia do bíceps para os neurônios. Em um combate verbal, com toda a certeza um humano vence um macaco, porém em uma disputa corpo a corpo, um chimpanzé, por exemplo, é capaz de partir um ser humano no meio.
            Herman afirma que quando imaginou a vida na selva dos chimpanzés, imaginou que eles estariam lutando heroicamente dia a dia pela comida, travando batalhas árduas pela existência, contudo quando conheceu, de fato, o cotidiano deles, brincou que pareciam aposentados em um cruzeiro pelo Caribe.
Acordar ao romper da aurora e tomar café da manhã (frutas). Comer até ficar abarrotado e depois encontrar um bom lugar para cochilar, e talvez catar insetos nos pelos. Após mais ou menos uma hora (sem pressa!), encontrar uma árvore ensolarada com figos e empanturrar-se. Talvez encontrar alguns amigos, um pouco mais de catação de insetos, outro cochilo. Lá pelas cinco da tarde, jantar cedo (mais frutas, talvez algumas folhas), e está na hora de encontrar uma bela árvore onde dormir, construir nela um ninho e encerrar o dia” (Pontzer, 2019). 
(Imagem retirada da Internet)

             Segundo Herman, grandes macacos passam de oito a dez horas por dia descansando, catando insetos nos pelos e comendo antes de dormir à noite por nove ou dez horas. 

            Ainda sobre as suas pesquisas, Herman viu que chimpanzés e bonobos caminham cerca de três quilômetros por dia e gorilas e orangotangos ainda menos. Referente as escaladas, os chimpanzés escalam cerca de 100 metros por dia, o equivalente calórico a 1,5 quilômetros de caminhada. Orangotangos fazem praticamente o mesmo, e, embora sua ascensão ainda não tenha sido medida, com certeza os gorilas escalam menos” (Pontzer, 2019).
            Se formos trazer isso para os humanos, teríamos graves consequências. Ainda sobre sua pesquisa, Herman afirma que caminhar menos de 10 mil passos por dia está associado a maior risco de doenças cardiovasculares e metabólicas. Segundo alguns dados, adultos nos EUA em geral andam cerca de 5 mil passos, o que contribui para o alarmante índice de diabetes tipo 2, que afeta 25% de todas as mortes nos EUA.
            Então como eu disse no começo, baseado na pesquisa do professor Dr. Herman Pontzer, a nossa evolução nos propiciou uma dependência da atividade física, então se você não quer fazer alguma atividade porque não gosta, faça ao menos pela sua saúde.


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