Antigamente, os pesquisadores acreditavam que
as características evolutivas se davam apenas anatomicamente e no comportamento,
mas não afetariam as células. Conforme os anos foram passando e as pesquisas
aumentando, foi visto que os seres humanos também modificaram fisiologicamente.
Compartilhamos
97% do nosso DNA com orangotangos, gorilas, chimpanzés e bonobos (Pontzer,
2019), porém ao contrário dos nossos primos macacos, a nossa evolução nos
propiciou uma dependência da atividade física. Yuval N. Harari, afirma em seu
livro “Sapiens - Uma breve história da humanidade”, que ao longo dos milhares
de anos de evolução, o cérebro humano foi aumentando em virtude da
característica apresentada pela evolução das espécies que se seguiam, muito
também pela capacidade de oxigênio ter aumentado e a caça ter sido introduzida.
“O fato é que um cérebro gigante é extremamente
custoso para o corpo. Não é fácil de carregar, sobretudo quando envolvido por
um crânio pesado. É ainda mais difícil de abastecer. No Homo Sapiens, o cérebro
equivale a 2 ou 3% do peso corporal, mas consome 25% da energia do corpo quando
está em repouso. Em comparação, o cérebro de outros primatas requer apenas 8%
de energia em repouso. Os humanos arcaicos pagaram por seu cérebro grande de
duas maneiras. Em primeiro lugar, passaram mais tempo em busca de comida. Em
segundo lugar, seus músculos atrofiaram” (Harari, 2012, pg. 17).
Harari
ainda brinca que é como um governo que está desviando verba da defesa para a
educação, onde os humanos desviaram energia do bíceps para os neurônios. Em um
combate verbal, com toda a certeza um humano vence um macaco, porém em uma
disputa corpo a corpo, um chimpanzé, por exemplo, é capaz de partir um ser
humano no meio.
Herman
afirma que quando imaginou a vida na selva dos chimpanzés, imaginou que eles
estariam lutando heroicamente dia a dia pela comida, travando batalhas árduas
pela existência, contudo quando conheceu, de fato, o cotidiano deles, brincou
que pareciam aposentados em um cruzeiro pelo Caribe.
“Acordar
ao romper da aurora e tomar café da manhã (frutas). Comer até ficar abarrotado
e depois encontrar um bom lugar para cochilar, e talvez catar insetos nos
pelos. Após mais ou menos uma hora (sem pressa!), encontrar uma árvore
ensolarada com figos e empanturrar-se. Talvez encontrar alguns amigos, um pouco
mais de catação de insetos, outro cochilo. Lá pelas cinco da tarde, jantar cedo
(mais frutas, talvez algumas folhas), e está na hora de encontrar uma bela
árvore onde dormir, construir nela um ninho e encerrar o dia” (Pontzer, 2019).

(Imagem retirada da Internet)
Segundo Herman,
grandes macacos passam de oito a dez horas por dia descansando, catando insetos
nos pelos e comendo antes de dormir à noite por nove ou dez horas.
Ainda sobre as suas
pesquisas, Herman viu que chimpanzés e bonobos caminham cerca de três
quilômetros por dia e gorilas e orangotangos ainda menos. Referente as
escaladas, os chimpanzés escalam cerca de 100 metros por dia, o
equivalente calórico a 1,5 quilômetros de caminhada. Orangotangos fazem praticamente
o mesmo, e, embora sua ascensão ainda não tenha sido medida, com certeza os
gorilas escalam menos” (Pontzer, 2019).
Se formos
trazer isso para os humanos, teríamos graves consequências. Ainda sobre sua
pesquisa, Herman afirma que caminhar menos de 10 mil passos por dia está
associado a maior risco de doenças cardiovasculares e metabólicas. Segundo
alguns dados, adultos nos EUA em geral andam cerca de 5 mil passos, o que
contribui para o alarmante índice de diabetes tipo 2, que afeta 25% de todas as
mortes nos EUA.
Então como eu disse no começo,
baseado na pesquisa do professor Dr. Herman Pontzer, a nossa evolução nos
propiciou uma dependência da atividade física, então se você não quer fazer alguma
atividade porque não gosta, faça ao menos pela sua saúde.
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